Este ensaio objetiva apreender a maneira de ser dúplice do narrador presente em "O outro ou o outro" (Tutaméia: terceiras estórias), de João Guimarães Rosa: ser distanciado do narrado e, concomitantemente, participativo no mesmo.
Partindo de um dado real, terremoto na cidade mineira do Serro Frio, em 1872, João Guimarães Rosa cria conto vinculado ao gênero fantástico. Objetiva-se análise do referido conto: “Um moço muito branco” (Primeiras estórias, 1962).
Objetiva-se apresentar leitura do conto "A Estória do Homem do Pinguelo", de Guimarães Rosa. Trabalhar-se-á o papel da alteridade na constituição da identidade, seja no que diz respeito aos narradores presentes no conto, seja no que diz respeito às personagens. Concluir-se-á que, em "A Estória do Homem do Pinguelo", o conhecimento da alteridade conduz à conquista da identidade, podendo, a partir deste conhecimento, melhor efetivarem-se os desígnios já determinados pelo destino. Alcançar-se-á, pois, o vínculo do conto com o trágico.
Objetiva-se demonstrar as marcas do trágico presentes no conto "A benfazeja" (Primeiras estórias, 1962), de João Guimarães Rosa. A desmedida (hybris), a fatalidade do destino, o bode expiatório (pharmakós) constituirão o centro do enfoque. O tom persuasivo do narrador do conto rosiano está confrontado com o de Atena em "Eumênides", de Ésquilo.
"Azo de Almirante", quarto conto de Tutaméia (Terceiras Estórias), efetiva-se através de dois tempos narrativos que se alternam. O primeiro deles apresenta a derradeira ação do protagonista, aquela que o conduzirá à morte, à procura do brejo situado à margem do rio. Neste primeiro tempo há o registro do final de um dia repleto de luz e também do final de uma vida marcada pela batalha, sem, no entanto, abdicar dos valores individuais. Hetério, protagonista do conto, morre feliz por auxiliar um amigo a raptar sua mulher. O segundo tempo presente na narrativa consiste na retomada da vida deste mesmo protagonista a partir do momento em que nela ocorreu uma reviravolta: uma enchente levou-lhe mulher e filhas. Deste acontecimento em diante, conforme relata o narrador heterodiegético, Hetério abandonou seu "fastio de viver, sem hálito nem bafo". Disse não a uma possível resignação fatalista frente ao destino. Adentrou-se no rio com sua canoa e posterior frota, entregando-se a um constante agi
Em "Droenha" (Tutaméia (Terceiras Estórias)), depara-se o leitor com o registro do duplo em diferentes instâncias: (1) no título do conto que no corpus se faz presente como ?pedroenga?, sendo esta duplicidade possível de ser lida graças às últimas palavras registradas na narrativa: "pedra e brenha"; (2) no nome do protagonista, ser civilizado, Jenzirico, a ter seu duplo registrado no nome de personagem primitivo, Jinjibirro, que efetivamente pratica a ação antes tentada pelo personagem principal; (3) no nome dos oponentes, Zevasco e Tovasco, cujo vínculo com o protagonista já se deu anteriormente quando o narrador em terceira pessoa conta que Jenzirico pensava seu próprio nome enquanto realidade "vasqueira".