Tomando por base as afirmações feitas por J. G. Rosa acerca de Platão e do diálogo Fedro − "Vamos ler Platão. Lá está tudo!" e "O livro mais belo: o ‘Phèdre’ de Platão!" −, nos propomos neste trabalho a realizar uma leitura de Tutaméia, a partir de dois aspecto da prosa dialógica dos diálogos platônicos: o estatuto filosófico do proêmio na composição dos lógoi e o estatuto dos animais na apreensão do conhecimento.
Este ensaio pretende analisar as concepções de memória presentes no conto Nenhum, Nenhuma, de João Guimarães Rosa. Partimos da hipótese de que o escritor mineiro utilizou as ideias de Platão e Bergson na construção deste conto.
Examinam-se neste trabalho os elementos platônicos presentes no romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. São extratos intertextuais tomados especialmente aos diálogos Banquete e Fedro. Concedemos relevo, nessa análise,ao papel do amor e da dialética ascensional em meio à escrita fragmentária do romance, que impõe ao tema mudanças significativas, aproximando-o de uma experiência trágica.
A proposta desta dissertação é estudar a rememoração na obra Primeiras estórias (1962), de
João Guimarães Rosa, tendo, como suporte teórico, a teoria da reminiscência de Platão. Para o
filósofo, a alma é imortal, pois sempre renasce em diferentes corpos. E quando uma pessoa
aprende algo ocorre uma rememoração, porque há apenas a recordação de um saber já
adquirido pela alma no mundo das ideias. Pretende-se, com base nessa teoria de Platão,
compreender os acontecimentos considerados misteriosos nas estórias rosianas, por se
distanciarem da lógica tradicional, e os comportamentos enigmáticos dos personagens. Por
serem muitas as narrativas que compõem o livro Primeiras estórias, restringiu-se o corpus a
sete contos: “A terceira margem do rio”, “A menina de lá”, “Sorôco, sua mãe, sua filha”,
“Nenhum, nenhuma”, “Um moço muito branco”, “As margens da alegria” e “Os cimos”.