O artigo desenvolve análises de 'Antes das primeiras estórias', livro constituído por quatro contos
escritos por João Guimarães Rosa em sua juventude. Os contos se inserem no campo da literatura
fantástica e, nesse sentido, pretendemos articular reflexões que têm como objetivo compreender a
partir de que temas e elementos narratológicos o insólito é construído, com o intuito de
demonstrar que a composição do espaço apresenta-se como um dos principais recursos para a irrupção
do fantástico nas narrativas.
O presente artigo tem como proposta explanar sobre a configuração doreal maravilhoso, levando em conta o que Alejo Carpentier define como peculiaridadedesse tipo de narrativa: a sua vinculação a uma cultura, a da América. Para tanto,partimos de uma narrativa, “A santa”, de Gabriel García Márquez, que tem comomote o enfraquecimento do real maravilhoso em função do deslocamento espacial– da América Latina para a Europa. O trabalho analítico também enfocará o conto “Amenina de lá”, de João Guimarães Rosa. A base teórica é a teoria de Carpentier sobreo real maravilhoso.
O artigo tem como proposta a discussão da noção de real maravilhoso, uma das vertentes da literatura fantástica, por intermédio da análise de dois contos de autores latino-americanos: “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, de Gabriel García Márquez, e “Um moço muito branco”, de João Guimarães Rosa.
O estudo parte da análise do conto “Axolotes”, de Julio Cortázar, com o objetivo de demonstrar a relação entre a constituição do fantástico e a construção das espacialidades da obra, espacialidades, como a dos corpos do narrador e do axolote, verificando como tais corpos situam-se como espaço de devir. Para iluminar a análise, também enfocaremos alguns aspectos do conto "O espelho", de João Guimarães Rosa, e das narrativas “Um animal sonhado por Kafka” e “A bao a qu”, inseridas em O livro dos seres imaginários, de Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero. O processo metamórfico que ocorre nas narrativas supracitadas pode ser entendido como exercícios de animalidade que são desencadeados pelas personagens no sentido de testar os limites entre a razão e a imaginação, entre o real e o irreal.