Esta dissertação tem como objetivo o estudo comparado dos dados expressivos em Luuanda, de Luandino Vieira (Angola) e em três contos de Sagarana, de Guimarães Rosa (Brasil). Os textos dos autores são tomados de um ponto de vista supranacional, partindo do fato de que os sistemas literários dos dois países se integram em um macrossistema de literaturas de língua portuguesa. Focalizamos a oralidade como tema estruturador das seguintes narrativas: "Vavó Xíxi e Seu Neto Zeca Santos" (Vieira, 1964), "Estória do Ladrão e do Papagaio" (Vieira, 1964), "Estória da Galinha e do Ovo" (Vieira, 1964) e "Sarapalha" (Rosa, 1946), "Duelo" (Rosa, 1946) e "Corpo Fechado" (Rosa, 1946). Nesses textos, as falas registradas são retratadas de forma a conduzir a uma inflexão real das falas do musseque em Angola e do sertão no Brasil. A transposição da linguagem regional se dá de modo diverso nas culturas brasileira e angolana, o que determina diferenciações na construção das falas das mesmas. Em ambos os autores, a oralidade é parte integrante na observação da língua como processo ideológico essencialmente lúdico. Tal ludicidade aproxima o falar regional do poeta que, no seu fazer artístico, desconstrói a linguagem e recria-a de outra forma, conferindo-lhe significações sempre novas.