A proposta é um estudo comparativo dos contos de fada Chapeuzinho Vermelho, de Perrault, Fita Verde no Cabelo de Guimarães Rosa e Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque, levando-se em conta que os dois últimos estabelecem um inevitável diálogo com o texto matriz, do século XVII. Com efeito, embora as três narrativas enfoquem a questão do crescimento da criança, serão apontadas as três visões diferentes que elas veiculam: 1) abordagem moralizante e pedagógica do conto de Perrault (os perigos da desobediência infantil, a questão da iniciação sexual); 2) viés metafísico do conto de Guimarães Rosa, (confronto com a finitude e a morte , passagem do plano psicológico ao plano metafísico); 3) enfoque da eficácia simbólica da poesia, no conto de Chico Buarque ( vitória sobre o medo infantil, através do poder da palavra).
A partir das narrativas "Fita verde no cabelo (Nova velha estória)" e "Uns inhos engenheiros", investigar – no trabalho com a linguagem – recursos retóricos de construção que possibilitam ao signo motivado engendrar-se, na constituição de si, como polarizador de limites e fronteiras.
O envelhecer assusta a grande parte dos seres humanos que buscam, a todo custo, criar subsídios para garantir uma velhice minimamente tranquila. Entre os temores que assolam a imaginação está o de se ver dependente e desamparado por aqueles que, pelos mandamentos culturais, devia cuidar e amar. Este receio, por vezes verbalizado ou silenciado, reverbera os primitivos traumas que constituíram o sujeito do inconsciente, o que, por sua vez, demonstra o quanto o desamparo nos acompanha desde o dia em que nascemos até o dia em que perecemos. É o caso representado pelo conto Fita Verde no Cabelo – Nova velha história, escrito por Guimarães Rosa, em 1964. Na narrativa, dialógica com o drama de origem europeia Chapeuzinho Vermelho, Fita-Verde é uma garota desajuizada e sonhadora que busca (re)viver os (des)caminhos trilhados pela antecessora, enquanto leva para a avó uma cesta de doces. Lá chegando, em lugar de se deparar com um animal feroz, presencia a agonia da matriarca da família que morr
O presente artigo objetiva apresentar um estado da arte sobre o a tradução/transcrição intersemiótica e Literatura Infanto-juvenil, em forma de pesquisa, apontando alguns pressupostos assumidos por diferentes teóricos que se engajam em tal assunto. A pesquisa que originou este trabalho é documental, de natureza qualitativa, e foi realizada durante a disciplina de Literatura Infanto-Juvenil, do curso de Letras a Distância, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. A discussão promovida gira em torno da transcrição intersemiótica, da releitura dos contos de fadas elaborados por autores de grande porte como Guimarães Rosa em “Fita verde no cabelo”, Chico Buarque de Holanda em “Chapeuzinho Amarelo” e histórias originárias dos irmãos Grimm “Chapeuzinho Vermelho”, onde iremos falar sobre o processo de tradução de um texto em outro dentro do mesmo código linguístico, levando em consideração aspectos culturais, sociais e do público que se quer atingir.