O estudo do “ciúme”, paixão que se manifesta no conto “Sarapalha”, de João Guimarães Rosa, é objeto de análise deste trabalho. Os pressupostos teóricos são os da semiótica francesa. Objetiva-se descrever a dimensão sintática do ciúme, que revela a intensidade do sofrimento dos sujeitos afetados pela paixão – Primo Ribeiro e Primo Argemiro – em relação à perda do objeto-sujeito amado, Prima Luíza, para um rival comum. Busca-se descrever também o esquema passional canônico do ciúme na cena enunciativa, que capta o momento da revelação de Argemiro a Ribeiro a respeito do amor platônico que nutrira por Luíza. Ribeiro, ciumento caracterizado pelo apego exclusivo, assume o papel do observador avaliador social e não perdoa Argemiro, apesar de o papel de rival, que ele atribui ao primo, ser uma construção de seu imaginário.
Este artigo busca explorar a condição do narrador performer no conto “Sarapalha”, de Guimarães Rosa. A partir da construção das personagens no universo da ficção, parte-se para articulação entre o campo da performance e da literatura, explorando os signos que desestabilizam as categorias de espaço, tempo e ação. A abordagem priva pela aproximação das categorias narrativas com as categorias performáticas do texto, apontando os índices simbólicos e as estratégias de construção e elaboração presentes no universo rosiano. Para tanto, privilegiou-se o cruzamento entre o narrar e o performatizar como ações da escritura, bem como os níveis de materialidade e fisicalidade contidos no conto.
Publicada pela primeira vez em 1946, Sarapalha é uma das nove narrativas compiladas no livro Sagarana, do autor João Guimarães Rosa. No conto, dois primos enfermos definham em meio a uma região devastada pela malária. À espera da morte, Ribeiro e Argemiro abrandam suas dores compartilhando lembranças em torno do passado. Sobre este, contudo, descobrem possuir desavenças significativas no que se refere a uma perda amorosa. As reações à perda aparecem como um luto que chega a rivalizar com outro luto em curso, este devido à iminência da morte das personagens pela enfermidade da malária. Neste artigo, pretendemos analisar como se caracterizam esses lutos, especificamente suas conexões com o modelo proposto por Elisabeth Kübler-Ross, buscando identificar a importância desse elo para novas percepções acerca da narrativa.
É bastante usual, em Literatura, uma obra literária retomar algo de outras que a precederam.
Estabelecer um diálogo entre vários textos foi praticamente o que constituiu a condição de existência do texto literário. Não foram poucos os teóricos que se dedicaram a tecer comentários sobre aspectos intertextuais entre os mais diversos autores. No contexto pós-moderno, o ato intertextual parece ter sido levado às últimas consequências, pois se nota que as relações entre determinados textos atingiram um alto grau de evidenciação. Neste trabalho, analisamos as reescrituras do conto roseano Sarapalha, através dos textos de Amador Ribeiro Neto (Caso na Roça), Bernardo Ajzenberg (O Vapor da Pedra) e Geraldo Maciel (Os Primos), reunidos no livro Quartas Histórias, organizado por Rinaldo de Fernandes. Mantendo a estrutura de contos, os autores citados apresentam suas recriações do texto do escritor mineiro, sempre de forma redimensionalizada, ora se aproximando mais do original, ora modificando-o radicalmente, constituindo um ato intertextual paródico.
O objeto de estudo desta tese são algumas das narrativas elaboradas por João Guimarães Rosa e compiladas nos livros: Sagarana, Primeiras Estórias, Estas estórias, Ave, palavra, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. A análise deste corpus tem a finalidade de verificar até que ponto essas narrativas ajudam a repensar o conceito de homem cordial presente no pensamento sociológico brasileiro, tendo em vista, sobretudo o desenvolvimento deste conceito no ensaio Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (doravante SBH). Dada a inscrição dessas narrativas entre o sertão arcaico e a fundação do ambiente urbano brasileiro, mesmo panorama discutido por SBH, a partir da argumentação desenvolvida, concluiu-se que há um reaproveitamento estético de algumas das principais discussões desenvolvidas por SBH, sobre as raízes da sociedade brasileira. Acredita-se que tal reaproveitamento estético permite que a cordialidade ressoe no corpus analisado, o que nos leva a forjar aqui o qualificativo de poética da cordialidade para as narrativas produzidas por JGR e a enxergar no perfil biográfico desse autor um intérprete do Brasil.
Faculdade de Letras, Departamento de Lingüística e Filologia
A análise textual fundamentada nos princípios metodológicos de leitura propostos por Roland Barthes. A importância do estudo do texto na obra de Barthes, suas características principais, o texto como processo de escritura, resultado da interação escritor/leitor; o texto plural. A escritura curta, estratégias dos fragmentos. Estrutura e estruturação: a análise estrutural da narrativa, regras funcionais de recorrência e sistematicidade, a procura de unidades sintáticas e semânticas mínimas responsáveis por uma rede de significação hierarquizada; a análise textual, mecanismos de produção do texto enquanto processo de escritura e significância. Releitura do conto Sarapalha de Guimarães Rosa, o estudo das lexias, as conotações, interrelação de códigos, a estruturação da leitura.
Este trabalho tem como objeto de estudo as obras de João Guimarães Rosa Sarapalha, Corpo fechado e A terceira margem do rio e de Juan Rulfo Luvina e Pedro Páramo. Partindo destes materiais literários analisamos as categorias da transculturação, as relações entre escrita e poder e as implicações das teorias de Ángel Rama para a análise cultural da América Latina. Fundamentam este estudo as teorias críticas desenvolvidas por Roberto González Echevarría, Alberto Moreiras, Antonio Cornejo Polar e Jacques Derrida. Desta forma, o trabalho passa pela discussão de temas como a influência, a mediação e a representação do discurso antropológico na literatura, o debate entre a oralidade e a escrita e o papel paradoxal da literatura na América Latina.
As relações entre literatura e música constituem o objeto de pesquisa desta tese, dadas por meio da leitura de Sagarana, em especial: O burrinho pedrês, Sarapalha, Corpo fechado e A hora e vez de Augusto Matraga. O conceito de musicalidade incorpora as virtualidades sonoras da língua, as cantigas populares e as técnicas e formas eruditas da música, tais como contraponto e sinfonismo.
o presente trabalho tem como objetivo principal fazer relações entre as personagens Primo Ribeiro e Turíbio Todo dos contos Sarapalha e Duelo, respectivamente, que fazem parte do livro intitulado Sagarana de Guimarães Rosa. Nesses contos, as personagens serão analisadas a partir dos sentimentos de raiva, ódio, vingança, entre outros que impulsionaram atos impensados em busca de limpar suas honras manchadas e que, de alguma forma, contribuíram de maneira negativa para suas vidas, assim mostramos como Guimarães, considerado um grande escritor, consegue fazer com que seus personagens se pareçam com pessoas reais, com todas as qualidades e, principalmente, os problemas. Portanto, serão pontuados alguns fatos e características marcantes da vida e obra do autor e do movimento literário do qual fez parte: o Modernismo, mais especificamente a terceira fase, que traz como características principais o regionalismo e a liberdade de escrita.
Este trabalho apresenta uma breve leitura do conto “Sarapalha ” de João Guimarães Rosa, no qual
busca identificar peculiaridades na construção de dois personagens, Primo Ribeiro e Primo
Argemiro, para que possamos caracterizá-los quanto ao tipo de personagens que são além de, a
partir dessa identificação, fazer uma breve leitura interpretativa sobre a história construída. O
intuito é compreender um pouco mais tanto os personagens quanto à narrativa. Para atingir o
objetivo proposto, partimos de uma pesquisa bibliográfica (CÂNDIDO, 2009; BRAIT, 1985).
Obteve-se, ao final da pesquisa, alguns resultados como, por exemplo, a constatação de que ambos
os personagens se caracterizam como sendo planos, porém um deles (Primo Argemiro), adquire no
decorrer da história, mais precisamente no final, um grau de crescimento, o que o levaria a deixar de ser plano, passando à dimensão dos personagens redondos. Também se concluiu que os mesmos
personagens atuam com a função de protagonista/anti
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