O presente artigo objetiva realizar uma análise do conto “Esses Lopes”, de João Guimarães Rosa. No texto literário em questão, o leitor se depara com uma narradora-personagem, a Flausina, que relata as diversas formas de violência vividas em sua juventude; bem como o detalhamento dos artifícios, por ela utilizados, para se livrar de seus sofrimentos. Para tal análise, primeiramente, será observada a opção narrativa do autor, recorrente em sua obra, em uma breve tentativa de localização da obra de Rosa no panorama literário brasileiro. Em seguida, será destacada a importância, para a construção do enredo, desta modalidade de narrador, que conta uma história da qual participou como protagonista. A análise segue com a evidenciação da pertinência, ainda atual, da abordagem da violência contra a mulher – tema que é tratado no conto em questão. Nesta análise será destacado, ainda, o modo pelo qual a narradora tenta superar seus traumas a partir da concretização de planos ardilosos e fatais contra seus opressores, tentando justificar, em seu discurso, suas ações, também
violentas. Empregam-se considerações teóricas de Bosi (1988), Genette (19--) e Reis; Lopes (1988), para auxiliar a tarefa analítica. Espera-se, com o presente artigo, refletir acerca da opção do foco narrativo e sua pertinência para a construção dos significados no conto.
Partindo de uma perspectiva que articula literatura e sociedade, o objetivo deste texto é analisar a figuração literária do patriarcado brasileiro no conto “Esses Lopes” presente no livro Tutameia, de João Guimarães Rosa. O patriarcado, entendido como estrutura de poder que mescla a dimensão familiar à social, surge no Brasil Colônia e toma outras formas, conforme as demandas da modernidade. “Esses Lopes” apresenta o patriarcado do ponto de vista de uma mulher que mata os violentos esposos. Os meios pelos quais ela comete os assassinatos expõem o papel histórico da mulher na sociedade patriarcal. A postura transgressora da protagonista se expressa simbolicamente na devoração, imagem que conjugará, ao mesmo tempo, o poder da palavra e os artifícios caseiros. Este artigo expõe alguns apontamentos alcançados na pesquisa de mestrado que investiga o mesmo tema também em outros dois contos: “Nada e a nossa condição”, de Primeiras Estórias, e “A volta do marido pródigo”, de Sagarana.
Neste artigo, comparo alguns textos de João Guimarães Rosa com filmes de Charles Chaplin e Pier Paolo Pasolini. O contraste está baseado nos temas do silêncio e da morte.
Apoiado nas conexões entre literatura e psicanálise, este texto enfoca uma personagem feminina de Guimarães Rosa, que, violada por poderosos de seu meio, elimina-os dissimuladamente, apropria-se de seus bens e aprende "as letras", tornando-se dona do próprio corpo, desejo e ato narrativo - algo raro na obra rosiana.
Este trabalho desenvolve uma leitura por cinco contos de Guimarães Rosa: “A hora e vez de Augusto Matraga”, “Campo Geral”, “A Benfazeja”, “Esses Lopes” e “Meu tio o Iauaretê”, inclusos respectivamente em Sagarana, Corpo de Baile, Primeiras Estórias, Tutaméia e Estas Estórias. Assim, empreende-se um breve percurso no intuito de observar na gênese criativa do autor uma temática maniqueísta, em cuja concepção do mundo, com intensividade poética, opõe-se o bem e o mal. Para tanto, a pesquisa respalda-se na Simbologia Mítica, na Crítica Literária e em Aspectos da Metafisica, além da análise de clássicos ensaios literários, na abordagem da estrutura dessas histórias. Busca-se demonstrar que no sertão rosiano, o contraditório contribui para especulação sobre o homem humano, na aprendizagem contínua de sua travessia.
Canônico, experimentalista, agregador de símbolos cifrados de diversas tradições, João Guimarães Rosa introjetou frescor ao regionalismo e à literatura brasileira, o que se deve, sobremaneira, à tessitura de como amalgamou os modelos simbólicos universais para falar do mais pitoresco, o sertão mineiro. O patriarcalismo sertanejo irrompe como um microcosmo das relações culturais de poder e de opressão, que historicamente forjaram a construção do ser social da mulher. Refratando um mundo violento e hierarquizado, onde se mesclam fé e violência, onde são rarefeitas as chances de emancipação, sua obra oferece personagens femininas flagradas utilizando diversificadas estratégias de resistência e de revide na luta pela sobrevivência. Nesta dissertação, atenta-se para três mulheres, que ultrapassaram os limites mais sacros dessa ordem social e cultural, representados pelo homicídio de seus maridos. Percebe-se o farto material que elas oferecem para o estudo das ideologias de gênero, uma vez que revelam e chegam a inverter alguns dos paradigmas centrais outorgados pelo patriarcado, como a fragilidade e a subserviência. Em recorrência, três emblemáticas personagens, que assassinam seus maridos ou arquétipos de maridos, forjam o corpus deste trabalho, Maria Mutema, Mula-Marmela e Flausina. A primeira faz parte de um episódio incrustado no romance Grande Sertão: Veredas (1956), que a narra como assassina confessa do padre e do marido, entre outras subversões. No conto A benfazeja, de Primeiras estórias (1962), aparece a segunda mulher, que mata o seu companheiro e o enteado. Por sua vez, a última é uma narradora autodiegética, que conta como “ceifou” a vida dos quatro homens da mesma família, com que mantinha relações maritais e/ou de submetimento. Trata-se do conto Esses Lopes, integrante do livro Tutaméia (1967). Com efeito, à luz da Crítica Feminista e com a contribuição de teóricos como Pierre Bourdieu (2005) e Jacques Derrida (2004), inclinados a investigar o julgamento cultural da condição feminina, perscrutou-se a representação dessas três personagens, de suas regularidades em termos de transgressão, inclusive com uma gradação emancipatória até Flausina. Buscou-se mostrar como concatenam símbolos muito caros à história das mulheres e exercitam diferentes ferramentas do feminismo crítico.
Centro de Letras e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Letras.
O conceito de gênero fundamenta-se na construção social, histórica e cultural dos papéis do homem e da mulher. Esse conceito ampara-se na relação entre um e outro sexo, pois são as oposições que definem masculinidade e feminilidade. No entanto, essas oposições naturais foram hierarquizadas causando uma situação de desigualdade e opressão para a mulher. Para suprir a necessidade de revelar e discutir estereótipos femininos que representam esta situação, a Crítica Literária Feminista investiga textos literários com o objetivo de refletir sobre relações de poder que estes apresentam. Tendo em mente tal perspectiva o objetivo desse trabalho é estudar o conto ?Esses Lopes?, de João Guimarães Rosa, sob o viés das tensões que se estabelecem entre a dominação masculina e a recusa da protagonista a ser subjugada. O apoio para o entendimento dessa dinâmica vem do exame de idéias androcêntricas contidas em artigo de Rita Felix Fortes e do conceito de habitus do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002).
Este trabalho se propôs a analisar três personagens femininas de três contos de Guimarães Rosa: Flausina, de “Esses Lopes” e Senhora/Sinhá, de “Sinhá Secada”, ambos de Tutameia; e Mula-Marmela, de “A benfazeja”, conto de Primeiras estórias. Consideramos, neste estudo: a posição social da mulher na estrutura social do sertão de Guimarães Rosa, a constituição das personagens estudadas enquanto personagens modernas e a forma como suas especificidades são construídas pelo narrador de cada conto. Fundamentamos a noção de Modernidade em estudos como os de Hall (2011), Bradbury & McFarlane (1989), Hollington (1989), McFarlane (1989), Candido (1976), Barbosa (1990) e Moreira (2012). Para o estudo da estrutura social do sertão de Guimarães Rosa, tivemos o auxílio de estudos como os de Gilberto Freyre (1987), Antonio Candido (1951), bem como da crítica rosiana que discutiu o assunto, como os de Luiz Roncari e Walnice Nogueira Galvão. Para o estudo das personagens femininas, foram de muito auxílio os estudos críticos sobre os contos estudados, principalmente, o de Cleusa Rios. P. Passos (2000).
O presente trabalho tem por objetivo geral efetuar leitura analítica de sete contos de João Guimarães Rosa, presentes em sua última obra publicada em vida: Tutaméia -- terceiras estórias. Dentre as quarenta "estórias" do livro, elegeram-se as seguintes: "Antiperipléia", "Curtamão", "Êsses Lopes", "Rebimba, o bom", "Se eu seria personagem", "Tapiiraiauara" e "- Uai, eu", que possuem em comum, além da estrutura concisa, a presença de narradores autodiegéticos. Esta categoria, criada por Gérard Genette, diz respeito ao tipo de narrador que participou da história que conta, como protagonista. Para dar conta do artefato teórico foi escolhido como principal obra de apoio O discurso da narrativa, de autoria de Genette. O trabalho visa contribuir com os estudos acerca da obra contística de Guimarães Rosa, com destaque para a figura do narrador.
Esta comunicação propõe observar as questões relativas à construção, ou melhor, às construções narrativo-poéticas das protagonistas nas tramas dos escritores Guimarães Rosa e Mia Couto, cujas obras em muitos aspectos se aproximam. Foram escolhidos dois contos, "Esses Lopes" e "A saia almarrotada", este da obra O Fio das Missangas, de Mia Couto, e aquele da obra Tutameia, de Guimarães Rosa; neles, especificamente, conteúdos relevantes e solícitos de um trabalho analítico e consciencioso para várias áreas de estudo, especialmente, para a literatura, como Memórias e Identidades serão estudados. Portanto, tem-se como corpus desta pesquisa os olhares lançados sobre a performance das personagens principais em uma perspectiva cultural.
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