Filiados a um contexto literário em que o poeta busca a reconciliação entre o “eu” e o universo sem rejeitar a consciência do fazer poético e a renovação da linguagem, os poemas de Guimarães Rosa em Ave, Palavra aproximam-se do que Octavio Paz denominou de “poesia de convergência”. Tal visão analógica metaforiza-se nos poemas por meio do mito de Narciso e por imagens que associam o reflexo e o encontro do Outro como forma de conhecer a si mesmo. O presente trabalho objetiva apresentar uma leitura das referidas composições poéticas examinando como a analogia se estabelece, aproximando-as das demais produções de Guimarães Rosa, identificando-as, não como acidente na obra o autor, mas como produção portadora das inquietações que acompanham o artista em sua trajetória literária.
O estudo examina a participação do escritor João Guimarães Rosa no processo de tradução de várias obras para vários idiomas, principalmente as traduções de Corpo de baile para o italiano, e de Grande sertão: veredas para o inglês, o alemão, o holandês e o francês. Além do esclarecimento de muitas questões de interpretação de enigmas léxicos e textuais, a participação intensiva do escritor nesse processo nos informa sobre a sua filosofia da tradução.
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