Neste artigo, abordamos sobre a linguagem de Clarice Lispector e a de Guimarães Rosa. Valendo-nos de duas obras de cada um desses autores: A paixão segundo G. H. e Laços de família, e Noites do sertão e Primeiras estórias, do segundo, procuramos mostrar que elas são interessantes não somente pelo tipo de linguagem, mas também pelos assuntos abordados.
Versão editada da conferência “A força de um inferno: Rosa e Clarice nas paragens da diferOnça”, ministrada no IEL-UNICAMP, 2013. Partimos da transcrição realizada pelo Laboratório de sensibilidades (https://laboratoriodesensibilidades.wordpress.com/2018/04/23/a-forca-de-um-inferno-rosa-e-clarice-nas-paragens-da-diferonca-transcricao-da-palestra-de-eduardo-viveiros-de-castro-no-ifch-unicamp/), que foi conferida e revisada por Ingrid Vieira, e alterada e corrigida visando a publicação escrita por Alexandre Nodari. Posteriormente, o autor acrescentou passagens e modificou o texto com vistas à desoralização estilística, sem no entanto apagar o caráter de palestra falada.
O presente trabalho propõe o exame do tempo em Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa, e em A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector. Nesse sentido, o tempo, a priori, categoria estrutural de toda narrativa, é tomado como temática recorrente ao mundo ficcional, provocando a leitura crítica acerca da experiência temporal vivida e narrada pelos personagens Riobaldo e G.H., respectivos das obras supracitadas. Portanto, uma vez repassado à matéria da narrativa, o tempo reorganiza a realidade sui generis do mundo ficcional e nos impõe a necessidade do ato interpretativo.
O ensaio “A passos de barata, a saltos de onça” propõe uma discussão sobre a alteridade na literatura a partir da figura animal na obra de dois escritores brasileiros: Clarice Lispector (1920–1977) e João Guimarães Rosa (1908–1967). O estudo debruça-se mais precisamente sobre as obras A paixão segundo G.H., de 1964, e Meu tio o Iauaretê, publicado em livro em 1969, embora o texto tenha aparecido primeiramente na revista Senhor, em 1961. Entre estas duas narrativas, podemos encontrar a noção da figura animal e da alteridade determinadas nos anos sessenta. A dimensão de instantâneo será desenvolvida a partir da uma curta e intensa exposição dos narradores aos animais citados, a barata, no caso de Clarice Lispector, e a onça, no caso de João Guimarães Rosa, duas obras-primas, não apenas da literatura brasileira ou de expressão lusófona, mas também da história da literatura.
El presente trabajo se propone abordar el problema de la representación de la animalidad en dos textos fundamentales de la literatura brasileña contemporánea, la novela breve A paixão segundo G.H (1964) de Clarice Lispector y el relato extenso “Meu tio o iauaretê” (incluido en Estas estórias de 1969) de João Guimarães Rosa. En ellos se narran experiencias de desubjetivación originadas por el establecimiento de una íntima e intensa relación con el mundo animal, el de los jaguares del sertão brasilero en el caso de Rosa y el de una simple cucaracha doméstica en el de Lispector. Aunque desde tradiciones de pensamiento y poéticas disímiles, ambos relatos arriban a imaginarios de la animalidad muy próximos, en los que la representación de ese territorio desconocido es inseparable de la creación de espacios transicionales. En estos espacios la identidad humana es puesta en cuestión a través de tres movimientos disolutivos: el replanteamiento de la clásica oposición entre hombre y animal, la invención de una ‘perspectiva animal’ –que nunca se alcanza completamente– y la búsqueda formal de los umbrales del lenguaje humano. Intentamos reflexionar aquí acerca del modo en que ambos textos piensan y dan forma literaria a esos límites, a esas zonas de pasaje.
Esta tese tem como objetivo analisar e discorrer sobre a representação do fenômeno do Mal na prosa romanesca brasileira desde a publicação de Angústia (1936) de Graciliano Ramos a Não verás país nenhum (1981) de Ignácio de Loyola Brandão. Além destes dois romances, são analisados, Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa; A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector; A porteira do mundo (1967), de Hermilo Borba Filho e Um copo de cólera (1978), de Raduan Nassar. O objetivo principal é refletir sobre a presença do tema do Mal em seus diferentes desdobramentos em tais autores, sob o ponto de vista da mímesis, abordando sua influência dentro do plano político, social, humano, filosófico, etc. Assim, discutimos, com um viés interdisciplinar, conceitos como estado de exceção, tragédia, ficção-científica, erotismo, usando como apoio teórico autores como Hannah Arendt, Susan Neiman, Terry Eagleton, Giorgio Agamben, George Bataille, entre outros. A proposta é identificar pontos específicos e comuns entre as obras, compreendendo-as, sobretudo, de forma independente, sem pensá-las dentro de um único modelo, mas estabelecendo ligações entre elas e de como foram importantes para pensar o tema do Mal dentro da literatura brasileira ao longo do século XX.
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